quarta-feira, 6 de agosto de 2008

PAPEL CARBONO

Eu fiquei sem saber como escrever.
Eu queria tanto ser tocada da sabedoria incomum, para usar as palavras que somente existem em algum lugar, muito longe do todo, apenas o distante pode expressar.
E se você não as compreendesse, eu as imprimiria através de beijos de brasas e fome por todo seu corpo.
E então, derrubaria do céu a chuva fina da madrugada que molha, suave, o guarda-chuva que a alma de poeta não carrega.
Quem sabe tiraria você para dançar aquela música sussurrada e profana que percorre as esquinas e que somente nós ouviríamos.
Eu pertenceria a você dissolvida em seu sangue, em seu gozo e em sua saliva.
E dali eu nasceria todo dia como o sorriso que você marcou no carbono da minha emoção. E saberia.
A sua. Toda sou: Sua.
Nua eu viveria de sua impressão sem pressa sobre meu corpo. Sem pedir para acabar. Sem querer o fim.
Eu derramarei uma lágrima pesada se isto, daquelas de olho que não quer fechar. De algo que não deseja doer.
Do seu amor furtivo, escondido entre os lençóis e cortinas do seu palco, eu guardo o toque e o gosto da felicidade.
Quando longe, esperando o chamar do telefone, meu corpo é como folha avulsa e em branco sobre a mesa. Para, então, ouvir sua voz: púrpura risca para colorir o meu prazer.

2 comentários:

caicko disse...

Papel carbono: minha folha na tua deixando muita impressão. Demais!! Beijos

ALBERGUE MENTAL
http://caioalbergue.blogspot.com

F. Reoli disse...

O prazer nunca vem em preto e branco... beijos!!!