sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CATACUMBA

Um pouco viva. Acendo a luz e não abro a janela com receio de sentir gelar ainda mais os ossos. Tomei uma colherada de óleo de fígado de bacalhau e fiquei olhando a geladeira e nada me apeteceu. Deitei embaixo dos cobertores e esfreguei os pés de uma maneira única que faço, devagar, como um embalo ancestral de sono. Ali, o sono chegou enquanto o calor aquecia o suficiente para dormir e párar de sentir o que não sinto.
Acordei com mais sono, sentei no computador e não tinhas histórias para contar. Vazia, oca, minha mente é do tamanho de comprimidos que engulo sem muito questionar. Eu só tenho que me adaptar e controlar.
Controle, acho que é tudo isso.
Então, olhei para a minha rosa ainda botão, caída, nem vivia ainda e já de cabeça baixa desistia. Heroicamente desliguei as luzes abri bem aos poucos as cortinas. Decidi que mesmo se for a tristeza de viver descontralada e fora dos padrões, única e isolada em um casulo solitário, a existência daquela flor ainda merecia vez. Seremos então, as duas, de cabeça erguida, do jeito que se é.
Nem sempre nós salvamos sozinhas.